sábado, 12 de dezembro de 2009

A Profissão de Professor - Retrato Histórico


 Antes de divulgar os dados preliminares da pesquisa on line que venho fazendo e que está postada neste blog, senti a necessidade de postar um breve recorte histórico sobre o  surgimento do professor enquanto profissional da Educação. A fomatação deste profissional em um contexto histórico e social é determinante para a análise dos resultados da pesquisa.


Recorte Histórico


Desde a Grécia antiga, a figura do professor já estava posta como uma necessidade. Ao professor cabia a responsabilidade de ajudar os jovens cidadãos gregos livres a compreenderem o mundo e a argumentarem, de forma a se emanciparem pelo conhecimento. A escola era o lugar do ócio, da argumentação e estava destinada apenas  à elite. Sócrates, traz como modelo da arte de ensinar uma íntima correlação com a arte de persuadir. O papel do professor era seduzir pelo conhecimento as mentes dos jovens.
Para Gauthier (1999), na atualidade o professor continua tendo a tarefa de seduzir seus alunos ou, mais do que isso, persuadí-los: “[...] persuadir é influenciar por meio da palavra e do gesto, é seduzir a mente e o coração ao mesmo tempo. Nesse sentido, o trabalho docente é um verdadeiro trabalho emocional.” (GAUTHIER, 1999, p. 19-20).
Com as mudanças da Idade Média, segundo Saviani  (2006), o acesso à escola continuava sendo restrito à elite da sociedade. Além do trabalho das artes da educação, o professor assume seu trabalho incorporando o valor de sacerdócio. A tarefa de professar uma fé atrelada à de professar uma verdade única passa a ser responsabilidade do professor. Dessa maneira, ensinar uma doutrina era o indispensável na ação docente. Essa transformação da profissão confirma-se  com a Igreja Católica e seu propósito de expandir crenças e dogmas entre a população. São cultuadas e apontadas como características do docente a aceitação, a paciência, mas impor limites, de correção e disciplinamento do corpo também.  Garcia (2001), informa sobre o aparecimento, na universidade medieval, da avaliação como rito de passagem do aluno, para que pudesse progredir nos estudos. O papel do professor adquiria a partir disto, contornos de poder, quanto à capacidade de julgar, avaliar e excluir aqueles que não manifestassem a obediência necessária para o estudo. o sentido forte da profissão docente como vocação e que passa a ser considerada condição essencial para o exercício da docência. A docência adquiriu contornos de profissão com o advento da modernidade. A revolução industrial e, a inserção do trabalho nas fábricas  redesenhou o perfil desse docente. O desempenho das fábricas torna-se  referência para o funcionamento das escolas. Nesse sentido, Saviani (2006), afirma que a produção capitalista dita normas de relacionamento e traz a universalização do ensino. A normatização se insere no contexto escolar para “promover um ambiente propício ao estudo” uma educação para o disciplinamento e com um currículo mínimo capaz de garantir a formação de um trabalhador com as elementares noções de leitura e de escrita e a matemática prática elementar. E uma outra escola , destinada à formação da elite dominante. Os homens passam a ocupar os postos de trabalho e, cabe a mulher assumir a profissão. As mulheres da alta sociedade, quase em doação, exercem a função. Posteriormente, as mulheres das classes sociais mais baixas  buscam essa função como forma de  ascender socialmente.
Muda a ênfase na educação,  sai da aprendizagem e recai nas avaliações e pontuações de resultados,  perdendo a dimensão de conceber o aluno como sujeito ativo do saber. O processo fica, assim, subsumido aos resultados. A docência cada vez mais assume contornos de profissão com  a questão sindical tomando força ,  a profissão docente passa a ser questionada e julgada por suas ações sob a ótica da singularidade e não da complexidade de relações presentes no tecido de seu trabalho. Na década de 1980, no Brasil, a profissão docente foi marcada por uma consciência de classe trabalhadora, os professores tiveram um ápice de  trajetória de identidade de categoria construída com lutas e movimentos para reconhecimento da profissão. Não há como desvincular a escola do âmbito maior da sociedade capitalista e ao posterior enfraquecimento dos sindicatos. De acordo com Nóvoa:
“[...] os sindicatos deixaram de ser forças utópicas, dinamizadas pela idéia de um futuro diferente; as incertezas e as crises econômicas mobilizam mais os aparelhos do que os projetos de sociedade.” (NÓVOA, 1999, p.30).
Isso levou as escolas e os docentes a se recolherem, voltando-se para os seus problemas cotidianos. E o professor ficou numa posição de isolamento diante da realidade de seus alunos e,  de sua profissão.Dessa forma, o próprio professor também
 [...] tende a se culpar desde seus primeiros enfretamentos com a realidade cotidiana do magistério, porque em muito pouco tempo descobre que sua personalidade tem muitas limitações que não se encaixam no modelo de “professor ideal”, com o qual se identificou durante o período de formação inicial. (ESTEVE, 1999, p.50).
Neste contexto de construção profissional onde a culpabilidade e a responsabilização pelos fracassos dos projetos educacionais recaem no professor é que, outra vez, se inserem "novas necessidades" de mudanças na educação. O professor aparecerá  novamente no papel  de depositário de possibilidades de sucesso e de fracasso. A questão que se apresenta  agora, para além das responsabilizações nos processos de transformação seja do profissional professor, como da própia  Educação, é:   Quem é esse novo profissional da educação?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Falando em apropriação

A apropriação consciente das novas tecnologias na prática de ensino é a atitude mais adequada à uma sociedade que sofre um acelerado processo de mudanças decorridas principalmente do avanço tecnológico e o que isso pode provocar em termos de transformação social e dos próprios processos de cognição e percepção torna-se objeto de preocupação de várias áreas do conhecimento.
Essa apropriação das novas tecnologias na prática de ensino deve ocorrer de forma consciente, revendo o papel do professor, redimensionando a prática pedagógica, explorando suas potencialidades de maneira criativa para que consiga construir um conhecimento significativo para a vida dos envolvidos.
Isso significa que não basta introduzir tecnologia, pois esta por si só não se constitui em uma revolução metodológica, é imprescindível pensar em como ela é apropriada e explorada pela prática docente, e saber o quanto seu uso pode efetivamente contribuir para uma proposta pedagógica eficiente, consciente e criativa, voltada para a universalidade do conhecimento construído de forma colaborativa, afastada de uma idéia de modernização meramente instrumental.

“No entanto, o fato de mudar o meio em que a educação e a comunicação entre alunos e professores se realizam traz mudanças ao ensino e à aprendizagem que precisam ser compreendidas ao tempo em que se analisam as potencialidades e limitações das tecnologias e linguagens empregadas para a mediação pedagógica e a aprendizagem dos alunos.” (ALMEIDA, 2003, p. 329)


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Pesquisa on line

Este blog faz parte da pesquisa que realizo no Programa de Inclusão Social e Acessibilidade da Feevale que tem como tema de pesquisa: O novo profissional da educação do Estado do Rio Grande do Sul e as Novas Tecnologias e como problema: Quem é o novo profissional da educação da Rede Pública do Estado do Rio Grande do Sul e qual a sua apropriação tecnológica, no exercício da docência?
Estou diponibilizando a pesquisa que enviei por e-mail à lista de professores que tenho das vivências escolares de 17 anos de docência em Porto Alegre como professora de química.
A resposta as questões pode ser enviada ao e-mail: saladeaulatudo@gmail.com,  e os comentários postados neste blog.

Pesquisa:


Idade?

( )menos de 30

( ) entre 30 e 50

( )mais de 50

Sexo?

( )M

( ) F

Local onde reside?

( ) Porto Alegre

( ) outra cidade do RS

( )outra cidade do Brasil

Tem licenciatura?

( ) Sim

( ) não

Tem outra atividade profissional?

( )Sim

( )Não

É Professor da:

( ) Rede Pública municipal

( ) Rede Pública estadual

( ) Rede Particular

Dados sobre a tecnologia:

Você utiliza tecnologia como recurso nas suas aulas?

( ) Sim

( )não

A tecnologia transformou a sua sala de aula?

( )sim

( ) não

Foi positiva a mudança?

( )Sim

( )não

Que tecnologia você utiliza?

( )celular

( ) computador

( )Data show

( )TV

( ) vídeo

( )Rádio Escola


Dado sobre um novo ambiente cognitivo:

A presença física do professor é condição necessária para ocorrência da aprendizagem, com ou sem tecnologia ? Justifique no blog

( ) Sim

( )Não


Att,

Mely Cimadevila

sábado, 28 de novembro de 2009

Ampliando o espaço escolar- Novos Ambientes Cognitivos

"A revolução da tecnologia da informação e a reestruturação do capitalismo introduziram uma nova forma de sociedade, a sociedade em rede.(Castells,1999)"
A Educação e a Escola  encontram-se empregnadas de tecnologias: as tecnologias são uma realidade no nosso cotidiano e no cotidiano de alunos, professores e funcionários das escolas. A Escola  inserida  neste contexto necessita resignificar espaços buscando legitimação na transformação da informação advinda da conexão direta de acesso imediato, instantâneo propiciada pela  evolução tecnológica. O limite físico do que caracterizava-se como espaço escolar dilui-se na mesma velocidade em que se processa o fluxo de informações através da rede mundial. Nesse sentido, aceitar ou resistir a determinado estado de coisas, são marcas que se equivalem na  revelação do pertencimento a uma cultura, a uma sociedade. Pensando na  forma como isso ocorre, a inserção da sociedade, da escola nessa cultura que se forma a partir ou para essa tecnologia, podemos prever mudanças nos modos de ensinar e aprender, trazidas pela virtualidade advinda da tecnologia que vem possibilitando novos ambientes cognitivos sem os limites  físicos do espaço escolar que denominamos de  Escola. Embora exista um certo estranhamento com esse novo é preciso buscar espaços de legitimação na educação que contemplem a multiplicidade advinda desta evolução tecnológica. O professor precisa reconhecer que não pode mais educar sobre estruturas estáveis. Torna-se urgente a discussão das relações que dêem conta não das tecnologias, mas das fragilidades de todos à sua implantação e utilização.