Antes de divulgar os dados preliminares da pesquisa on line que venho fazendo e que está postada neste blog, senti a necessidade de postar um breve recorte histórico sobre o surgimento do professor enquanto profissional da Educação. A fomatação deste profissional em um contexto histórico e social é determinante para a análise dos resultados da pesquisa.
Recorte Histórico
Para Gauthier (1999), na atualidade o professor continua tendo a tarefa de seduzir seus alunos ou, mais do que isso, persuadí-los: “[...] persuadir é influenciar por meio da palavra e do gesto, é seduzir a mente e o coração ao mesmo tempo. Nesse sentido, o trabalho docente é um verdadeiro trabalho emocional.” (GAUTHIER, 1999, p. 19-20).
Com as mudanças da Idade Média, segundo Saviani (2006), o acesso à escola continuava sendo restrito à elite da sociedade. Além do trabalho das artes da educação, o professor assume seu trabalho incorporando o valor de sacerdócio. A tarefa de professar uma fé atrelada à de professar uma verdade única passa a ser responsabilidade do professor. Dessa maneira, ensinar uma doutrina era o indispensável na ação docente. Essa transformação da profissão confirma-se com a Igreja Católica e seu propósito de expandir crenças e dogmas entre a população. São cultuadas e apontadas como características do docente a aceitação, a paciência, mas impor limites, de correção e disciplinamento do corpo também. Garcia (2001), informa sobre o aparecimento, na universidade medieval, da avaliação como rito de passagem do aluno, para que pudesse progredir nos estudos. O papel do professor adquiria a partir disto, contornos de poder, quanto à capacidade de julgar, avaliar e excluir aqueles que não manifestassem a obediência necessária para o estudo. o sentido forte da profissão docente como vocação e que passa a ser considerada condição essencial para o exercício da docência. A docência adquiriu contornos de profissão com o advento da modernidade. A revolução industrial e, a inserção do trabalho nas fábricas redesenhou o perfil desse docente. O desempenho das fábricas torna-se referência para o funcionamento das escolas. Nesse sentido, Saviani (2006), afirma que a produção capitalista dita normas de relacionamento e traz a universalização do ensino. A normatização se insere no contexto escolar para “promover um ambiente propício ao estudo” uma educação para o disciplinamento e com um currículo mínimo capaz de garantir a formação de um trabalhador com as elementares noções de leitura e de escrita e a matemática prática elementar. E uma outra escola , destinada à formação da elite dominante. Os homens passam a ocupar os postos de trabalho e, cabe a mulher assumir a profissão. As mulheres da alta sociedade, quase em doação, exercem a função. Posteriormente, as mulheres das classes sociais mais baixas buscam essa função como forma de ascender socialmente.
Muda a ênfase na educação, sai da aprendizagem e recai nas avaliações e pontuações de resultados, perdendo a dimensão de conceber o aluno como sujeito ativo do saber. O processo fica, assim, subsumido aos resultados. A docência cada vez mais assume contornos de profissão com a questão sindical tomando força , a profissão docente passa a ser questionada e julgada por suas ações sob a ótica da singularidade e não da complexidade de relações presentes no tecido de seu trabalho. Na década de 1980, no Brasil, a profissão docente foi marcada por uma consciência de classe trabalhadora, os professores tiveram um ápice de trajetória de identidade de categoria construída com lutas e movimentos para reconhecimento da profissão. Não há como desvincular a escola do âmbito maior da sociedade capitalista e ao posterior enfraquecimento dos sindicatos. De acordo com Nóvoa:
“[...] os sindicatos deixaram de ser forças utópicas, dinamizadas pela idéia de um futuro diferente; as incertezas e as crises econômicas mobilizam mais os aparelhos do que os projetos de sociedade.” (NÓVOA, 1999, p.30).
Isso levou as escolas e os docentes a se recolherem, voltando-se para os seus problemas cotidianos. E o professor ficou numa posição de isolamento diante da realidade de seus alunos e, de sua profissão.Dessa forma, o próprio professor também
[...] tende a se culpar desde seus primeiros enfretamentos com a realidade cotidiana do magistério, porque em muito pouco tempo descobre que sua personalidade tem muitas limitações que não se encaixam no modelo de “professor ideal”, com o qual se identificou durante o período de formação inicial. (ESTEVE, 1999, p.50).
